E de repente todo mundo virou corredor.
Na verdade, pensando bem, o mundo moderno já nos transformou em corredores faz tempo. Vivemos atrasados. “Vai demorar?” virou praticamente a frase oficial da humanidade. Ninguém espera mais por nada.
Talvez seja por isso que a febre do momento, as corridas de rua, tenha se espalhado com tanta força. Inclusive na minha querida Triunfo. Segundo algumas estatísticas, já são mais de 13 ou 14 milhões de corredores no Brasil. É gente correndo que não acaba mais.
Agora as pessoas correm porque querem correr.
Mas talvez seja porque o mundo ficou mais apressado.
Hoje em dia tudo corre. As notícias correm, as conversas correm, os dias correm. Até os áudios do WhatsApp a gente escuta em duas vezes a velocidade, como se até a fala das pessoas precisasse chegar mais rápido.
A vida virou uma espécie de corrida permanente.
Talvez por isso correr tenha se tornado algo tão natural. O corpo apenas acompanha o ritmo do tempo em que a gente vive.
No meio disso tudo, eu sigo nas minhas caminhadas… quando consigo.
Mas confesso que, vendo tanta gente correndo, já estou quase aderindo ao movimento. Afinal, já estamos na chuva mesmo. Já vivemos correndo.
No fundo, talvez a corrida de hoje não seja apenas exercício.
É apenas o corpo tentando acompanhar a pressa da vida.
*Antônio Filho de Andrade é pós-graduado em jornalismo e cronista. Dedica-se à escrita memorialista, registrando experiências, lembranças e o cotidiano do interior como forma de preservar histórias e identidades. É autor do livro Conexões que Transformam e participante de antologias literárias nacionais. Também atua na área de comunicação institucional, unindo informação, sensibilidade e olhar humano em seus textos.
