Em um de meus textos falei sobre a peculiaridade do domingo. Nele, eu disse que talvez seja o único momento em que conseguimos frear a rotina apressada que tomou conta da semana.
Lendo Essencialismo: A Disciplinada Busca por Menos, do escritor americano Greg McKeown, me deparei com um conceito que caminha justamente nessa direção: a necessidade de ficar, por um tempo, indisponível. Parar para pensar.
O autor fala da importância de nos afastarmos do ruído cotidiano para observar o que realmente importa. Mais do que isso, pensar com profundidade e analisar o que é essencial em meio a tantas urgências que insistem em ocupar o nosso tempo.
É curioso perceber que essa prática já foi adotada por grandes personalidades ao longo da história, pessoas que reservavam momentos de silêncio e reflexão justamente para tomar decisões melhores e agir com mais clareza.
Quando aceitamos a correria da vida sem qualquer contestação, acabamos apenas reagindo aos acontecimentos. Vamos respondendo às demandas que surgem, uma após outra, sem realmente assumir o controle da própria vida.
Apesar de não ser literatura, essa teoria conversa muito com algo que aparece nas crônicas, porque a crônica também nos obriga a enxergar o simples. E enxergar o simples exige pausa, exige olhar com calma, exige pensar.
O que nos diferencia das outras espécies é a capacidade de pensar.
Pensar é perceber o mundo, mas também perceber a nós mesmos dentro dele. Pensar é se dar conta de que existimos.
No meio de tanta pressa, talvez uma das atitudes mais necessárias seja justamente essa: parar um pouco. Não para fugir da vida, mas para compreendê-la melhor.
Quando foi a última vez que você reservou um tempo, em meio a um dia cheio, apenas para se sentar e pensar?
*Antônio Filho de Andrade
