“Domingo tem essa mania bonita e cruel de fazer o coração visitar lugares antigos.”
Não sei quem escreveu essa frase, mas ela me acompanhou durante vários dias e acabou me levando a escrever este texto.
Se houvesse um dia da crônica, certamente ele seria um domingo. Gosto especialmente das suas manhãs. Já notei que, nelas, o café parece durar um pouco mais de tempo na xícara e até um livro fica aberto mais demoradamente nas mãos. São coisas simples, mas que, durante a semana, acabam não encontrando tanto espaço na rotina.
Talvez seja justamente nesses momentos que encontramos a oportunidade de parar para pensar, como ainda falarei mais adiante. É nesses instantes que percebemos a vida com mais atenção, saímos momentaneamente do automático e nos reconhecemos humanos.
Diante disso, acaba sendo difícil passar pelo domingo e não tropeçar em um monte de saudades. O domingo tem esse poder de despertar nostalgias e saudosismos, e essa é uma experiência tão coletiva que há diversas músicas, poesias e referências que tratam do assunto, sinal de que ocorre com quase todo mundo.
Seja como for, o domingo continua tendo essa capacidade curiosa de nos lembrar que somos muito mais do que a rotina que costumamos cumprir.
*Esse texto faz parte da coletânea Memórias Servidas com Afeto, com publicação prevista para 2026.
