Um dos maiores oradores do século XX foi Martin Luter King Jr. O seu discurso mais famoso “Eu tenho um sonho” atravessou gerações e até hoje motiva. Essa personalidade que morreu assassinada durante um discurso, usou a emoção como forma de comunicar um proposito superior, os direitos civis dos negros nos Enatados Unidos.
Impossível não ficar preso a fala de alguém que inicia sua fala com essa eloquência:
“Há cem anos, um grande americano, sob cuja simbólica sombra nos encontramos, assinou a Proclamação da Emancipação. Esse decreto fundamental foi como um grande raio de luz de esperança para milhões de escravos negros que tinham sido marcados a ferro nas chamas de uma vergonhosa injustiça. Veio como uma aurora feliz para pôr fim à longa noite de cativeiro.”
“(…) De certo modo, viemos à capital do nosso país para descontar um cheque. Quando os arquitetos da nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e a Declaração da Independência, eles estavam a assinar uma nota promissória da qual todo americano seria herdeiro. Essa nota foi uma promessa de que todos os homens teriam garantia aos direitos inalienáveis de “vida, liberdade e à procura de felicidade”.
É óbvio que a América de hoje ainda não pagou essa nota promissória no que concerne aos seus cidadãos de cor. Em vez de honrar esse compromisso sagrado, a América entregou ao povo negro um cheque inválido devolvido com a seguinte inscrição: “Saldo insuficiente”.
Porém recusamo-nos a acreditar que o banco da justiça abriu falência. Recusamo-nos a acreditar que não haja dinheiro suficiente nos grandes cofres de oportunidade desse país. Então viemos para descontar esse cheque, um cheque que nos dará à vista as riquezas da liberdade e a segurança da justiça.”
Perceba que um discurso nesse nível conecta de forma profunda e imediata quem fala com quem ouve. Não se trata aqui de quem fala, mas sim de quem escuta, é a história dessas pessoas, elas se veem claramente no discurso, de modo que elas incorporam para si aquelas palavras.
Na política, costumo dizer que em uma eleição, as pessoas votam por amor ou por ódio. Isso talvez seja uma resposta para quem, eventualmente, pergunta: Como uma pessoa é capaz de votar em político A ou B, é analfabeto, ele é tosco, enfim; elas não estão votando no CPF, estão votando na representação, no conjunto de ideias e valores que fazem sentido para elas, seja quais forem.
Mais, ela funciona tanto para o bem como para o mal. A história também nos mostra como o discurso emotivo, de ódio, já matou milhões de judeus na Segunda Guerra. A moção no discurso é tão eficiente que se usado para fins horrendos, irá funcionar também.
Então, de modo didático, o político não deve negligenciar a emoção em suas falas, desde que sejam verdadeiras, obvio. A emoção só surtirá efeito se for genuína e conversar com as aspirações de quem escuta.
