Considerando que já sabemos quem somos politicamente, e qual a nossa personalidade, é hora de nos apresentarmos ao nosso público e dizer para que viemos, dizer qual o nosso propósito e como iremos transformar a realidade de uma comunidade. È aqui que o amadorismo abre espaço para o profissionalismo e o uso das técnicas de comunicação se fazem necessário para fazer com que o politico se conecte verdadeiramente com os eleitores de uma comunidade.
Não estamos falando de fabricar uma personalidade, embora isso seja muito utilizado na política brasileira, especialmente em sucessões políticas. Nesses cenários, quando um político no poder tira um candidato do bolso e “empurra goela abaixo” no seu eleitorado. Cabe aqui ressaltarmos que esse modelo tem se apresentado muito falho e quase nunca o político “fabricado” atende ás expectativas criadas, causando enorme prejuízo, inclusive, para quem o indicou.
Ainda nessa nuance, um político improvisado causa enorme prejuízo a uma comunidade. Essa pessoa, agora pública, não tem a mentalidade política e nem carrega consigo um propósito, apenas vem para atender aos interesses de um grupo ou de alguém. E, não devemos nos iludir, os eleitores estão mais críticos em relação a isso. Se desejamos entrar na vida pública, então, de início já devemos mergulharmos na mentalidade política de corpo e alma. Somente assim iremos de encontro aos anseios daqueles que irão nos escolher para decidirmos sobre ações que irão influenciar as suas vidas.
Dito isto, é hora de criar uma marca pessoal que o identifique a começar por uma narrativa. Qual é a sua mensagem? Qual é a sua causa? Todo político precisa de uma bandeira, seja da classe trabalhadora, do meio ambiente ou da causa animal, por exemplo. È a partir dessa causa que iremos construir uma narrativa que irá nos posicionarmos em determinada seara social ou politica e, é a partir dessa posição que iremos nos apresentar e dizer quem somos e como iremos resolver determinado problema., como lutar por políticas públicas de igualdade, ações de preservação ambiental ou construção de abrigos para animais de rua. Essa será a nossa marca ou o nosso branding.
Coerência
A escolha de nossa bandeira precisa condizer com quem realmente somos e acreditamos, do contrário, não conseguiremos manter um discurso coerente por muito tempo e, nem mesmo as nossas atitudes se manterão alinhadas com nossa causa propalada. Se um político luta na defesa das vítimas do alcoolismo, por exemplo, não pode estar aparecendo em fotos frequentando bares ou todas de bebedeira, isso será claramente, algo incoerente com o que pregamos e defendemos.
A importância de sabermos quem somos reside nesse fato, mantermos nossa postura uniforme durante toda a nossa trajetória. È isso que nos dará a credibilidade e a autoridade necessária para vendermos a nossa ideia e propostas de ações e, com toda certeza, a nossa plataforma política estará firme e consolidada.
Identidade visual
Como o nome sugere, é como um político é percebido a partir sua imagem e aparência. No livro Conexões que transformam abordamos a importância da identidade visual para as empresas. Frisamos que, mais do que um logotipo, ela reúne elementos como cores, tipografia, formas e imagens que tornam a marca reconhecível e comunicam seus valores e objetivos de forma clara.
Esses aspectos ajudam a criar uma conexão imediata e positiva com o público. A ex-chanceler alemã, Ângela Merkel, por exemplo, transformou a repetição em uma poderosa marca pessoal. Seus blazers de corte clássico em cores sólidas – do vermelho ao azul-cobalto – sempre combinados com calças escuras e discretos colares de pérolas, criaram um uniforme reconhecível mundialmente. Essa consistência transmitia uma imagem de segurança, seriedade e pragmatismo, reforçando sua liderança estável e confiável. Era uma forma de dizer: “Eu sou consistente e focada no trabalho”.
Já Justin Trudeau demonstra como equilibrar tradição e modernidade. Seus ternos slinfit, lapelas finas e gravatas em tons vibrantes (azul-Royal, vinho ou roxo), complementados por lenços de bolso coordenados, projetam uma imagem de dinamismo e abertura. Nos momentos menos formais, ele adiciona toques de personalidade com meias estampadas ou sapatos ligeiramente contrastantes. Esse cuidado com os detalhes sinaliza dinamismo e empatia, ajudando-o a construir uma postura acessível e moderna, sem perder a sofisticação exigida pelo cargo.
A escolha de como se vestir não é uma ação aleatória. Líderes que são bem assessorados, agem com intencionalidade.
A neurociência estuda como o cérebro interpreta a imagem pessoal, incluindo a escolha de cores. Cores bem escolhidas podem reforçar a mensagem que um líder deseja passar, seja de autoridade, criatividade ou confiabilidade. Certas cores ativam áreas específicas do cérebro relacionadas a emoções. Por exemplo, o vermelho pode aumentar a energia e o impacto, enquanto o azul pode transmitir calma e confiança. Já notou essas cores nos espectros da política? Nada é por acaso.
