No meu livro Conexões que Transformam, dediquei um artigo ao tema da escuta ativa. No mundo de hoje, todos querem falar e ser ouvidos, mas quase ninguém quer escutar. Pior ainda: vivemos tempos de crescente polarização política, marcados por discursos extremados. Assim, o diálogo se transformou em um verdadeiro “debate de surdos”.
Nesse contexto, a empatia torna-se um instrumento essencial para a construção de consensos e a promoção de ações voltadas ao bem comum. Afinal, a política é, por definição, o ambiente do encontro entre diferenças, da mediação e da colaboração entre as pessoas de uma sociedade.
O autor Eduardo Ferraz, no livro Gente que Convence, destaca que, ao escutarmos menos, perdemos a oportunidade de compreender o que o outro pensa — seus desejos, ambições, dúvidas, frustrações e motivações. Dessa forma, demonstrar interesse genuíno pelo outro é uma estratégia poderosa para conquistar a simpatia e a confiança de qualquer pessoa.
De modo complementar, o psicólogo Carl Rogers, um dos fundadores da psicologia humanista, afirmava que “ouvir com empatia é compreender o mundo do outro como se fosse o seu, sem perder a condição de ‘como se’”. Para ele, a escuta empática não é uma técnica, mas uma atitude de presença, uma disposição sincera para compreender antes de responder. Essa perspectiva reforça a ideia de que o verdadeiro diálogo político nasce da capacidade de acolher — e não apenas de argumentar.
O mesmo caminho é seguido por Daniel Goleman, em Inteligência Emocional, ao afirmar que líderes eficazes são aqueles que desenvolvem a escuta como parte de sua competência emocional. Para Goleman, quem ouve com atenção consegue identificar as emoções subjacentes às palavras e, assim, responder de forma mais assertiva e humana.
Em regra, um político não é eleito para representar os próprios interesses, mas sim os de uma coletividade. Por isso, ouvir é a palavra de ordem.
Em resumo, propomos aqui uma mudança de paradigma: a comunicação eficaz — e, consequentemente, a liderança política bem-sucedida — não se fundamenta apenas na eloquência do discurso, mas na qualidade da escuta. É por meio dela que o representante acessa, de fato, os interesses e as necessidades daqueles que representa.

