A forma de se comunicar online hoje difere, e muito, do fim da década de 2000. Em tese, estamos disponíveis o tempo inteiro via WhatsApp, como se estivéssemos de plantão. Daí, talvez, as conversas sejam infinitas e quase nunca haja um até logo: sempre fica um vácuo, que foi normalizado.
Na arqueologia da internet, em que um ano já basta para fazer tudo parecer obsoleto, o MSN sobrevive na memória, e muitos ainda sentem saudade dele, já que não era apenas uma ferramenta de comunicação, mas uma experiência social e de relacionamento.
Essa experiência funcionava, inclusive, como um jogo psicológico. Quem não lembra do “entra e sai”, aquela estratégia de ficar entrando e saindo para que a janelinha subisse no canto da tela de alguém específico? Hoje, o máximo que temos é um “visto por último” ou um “digitando”, que gera ansiedade.
O status era o subnick, algo que talvez corresponda hoje à biografia do Instagram. Ali se colocavam letras de música, muitas vezes com indiretas pesadíssimas, ou frases filosóficas.
A linguagem era visual e sonora. O MSN era barulhento, caótico e cheio de exageros. Havia os winks, aquelas animações gigantes, como o porquinho ou o beijo, que travavam computadores lentos.
Tinha ainda o recurso de fazer a tela do outro tremer, e basta imaginar isso no WhatsApp de hoje para perceber que seria comprar uma briga.
Existiam também os emoticons customizados, numa época em que as pessoas substituíam tantas letras por emojis que a frase ficava quase ilegível.
No MSN, as conversas tinham começo, meio e fim. Quando o bonequinho ficava cinza, era sinal de que você tinha ido embora mesmo.
Hoje, as conversas viraram pilhas de áudios de ontem respondidos no meio da correria do dia, e, como ninguém mais vai embora de verdade, o tchau foi desaparecendo, deixando todo mundo nesse limbo de estar sempre online, mas raramente presente.
