Olho para o calendário e vejo o derradeiro de maio chegando sem o mesmo peso de antigamente. Hoje, o fim do mês mariano quase se mistura aos outros dias, mas houve um tempo em que essa data carregava uma expectativa diferente, principalmente nas pequenas cidades do interior de fé católica.
Maio parecia caminhar devagar até a coroação de Nossa Senhora, na matriz. O derradeiro de maio era esperado durante todo o mês e, quando finalmente chegava, parecia até uma festa. Havia quem comprasse roupa nova para a ocasião, as famílias se preparavam para a celebração e a cidade ganhava um movimento diferente naquela noite. Talvez fosse justamente essa espera que fazia maio parecer maior.
Hoje, é difícil encontrar aquela mesma expectativa que acompanhava o mês inteiro. Tudo parece chegar mais rápido, mal termina uma data e já estamos pensando na próxima. Certas épocas do ano já não despertam o mesmo sentimento de antes.
Claro que os tempos mudam, os costumes também, e nem tudo era melhor antes. Mas, às vezes, dá a sensação de que perdemos um pouco do hábito de viver uma coisa de cada vez.
E, enquanto maio vai se despedindo, junho já aparece logo ali na esquina. No Nordeste é assim: com os últimos dias de maio, muita gente já começa a pensar no mês que está chegando e em tudo o que ele costuma trazer consigo.
