Ao abrir o catálogo da Netflix, me deparei com um dilema moderno: a escolha, e isso me fez refletir.
Temos tantas opções possíveis que fico pensando que uma das grandes angústias dos nossos dias seja justamente essa: a escolha errada. Escolhemos uma e renunciamos a outras 999 que ficam para trás. Na nossa imaginação, todas aquelas opções descartadas também eram perfeitas. O arrependimento, então, não nasce do que escolhemos, mas do que idealizamos no que foi deixado de lado.
Ouvi um pensador dizer, outro dia, que ter opções demais não nos torna mais livres, mas mais insatisfeitos. Faz sentido. Nunca estamos plenamente satisfeitos e ficamos com aquela inquietação do “e se?”, como se outra escolha pudesse ter sido melhor. As redes sociais ampliam isso ao infinito: o que não escolhemos parece sempre funcionar melhor na vida dos outros. Nisso, a sensação é de que todo mundo acertou, enquanto nós seguimos hesitando, com medo de errar.
E há algo mais profundo nisso: não queremos perder nada. Com tantas opções, trocar rapidamente de caminho virou quase um hábito natural. Trocamos filmes, músicas, objetos e até pessoas com muita naturalidade hoje. Isso lembra aquela ideia de tempos “líquidos”, como dizia Bauman, tudo escorre, tudo parece provisório, inclusive nossas decisões.
Mas quase nunca temos em mente que escolher é, no fundo, aprender a perder. Quem quer tudo acaba não ficando com nada, e quem escolhe um caminho precisa aceitar o fato de que ele, na prática, terá flores e espinhos, o que não necessariamente seria uma escolha errada.
No tempo dos nossos avós, isso era diferente. As escolhas eram mais limitadas e nem passava pela mente deles essa ideia de arrependimento.
E se o segredo não estiver em escolher o filme perfeito, mas em assistir com atenção aquele que a gente decidiu ver?
