Esses dias vi um vídeo mostrando a situação atual do Brejo das Freiras, um tradicional balneário.
Quem conhece sente até uma tristeza ao lembrar do que aquele lugar já foi. Nos domingos, famílias se reuniam, e as crianças ficavam em êxtase com tanta beleza e momentos de diversão, ainda mais numa época em que as opções de lazer eram raríssimas.
Hoje, pelo que se vê, o cenário é outro.
O que aparece no vídeo é um lugar abandonado. Estrutura desgastada, pouco movimento e um silêncio que não combina com o que aquilo já foi um dia. E o mais curioso é que não faz tanto tempo assim.
O Brejo já foi um dos pontos mais movimentados do Vale do Rio do Peixe. As águas termais atraíam gente de várias cidades, até de outros estados.
Eu lembro bem.
Quando era criança, a ida ao Brejo começava na noite anterior. Ficava aquela expectativa, contando as horas. Era um passeio simples, mas que tinha um valor que, na época, nem dava para medir.
Isso leva a outro nível de reflexão.
As coisas mudam. A vida e a realidade ganham novos contornos. É um ciclo que mostra, sem muita cerimônia, que tudo passa.
Lembrei de uma frase de Rubem Alves, um dos meus cronistas preferidos: “Se você amou muito um lugar, não faça a besteira de visitá-lo. Porque você vai visitar pensando que vai encontrar o tempo, mas o tempo não está mais lá”.
E talvez seja exatamente isso.
Não se perde só os lugares. Perde-se o tempo que existia neles.
Os lugares passam, os hábitos mudam, as pessoas seguem outros caminhos. O que foi referência em uma época, em outra já não ocupa o mesmo espaço.
E, no fim, fica um aprendizado silencioso. Não é o Brejo das Freiras.
É o tempo.
