“Sem música, a vida seria um erro.”
Friedrich Nietzsche
Houve um tempo em que a música parecia querer dizer alguma coisa, provocar uma reação e pedir do ouvinte mais do que uma escuta distraída. Ela não se resumia a melodia, refrão e repetição. Muitas canções traziam mensagem, simbolismo e até certo convite à reflexão. Falavam de amor, saudade, perdas e esperança, mas também de dores, inquietações e contradições da vida.
Talvez por isso tantas músicas de antigamente ainda permaneçam vivas na memória, quase eternizadas. Havia letras com entrelinhas, frases que não se entregavam de imediato e canções que continuavam com a gente mesmo depois de terminadas. “Pais e Filhos” é um exemplo de música que emocionava e fazia pensar.
Era como se a música, além de embalar momentos, também ajudasse a despertar sensibilidade. Sem parecer aula, muitas canções levavam as pessoas a pensar na própria vida, na realidade e no mundo. Tinha nelas alguma coisa a mais.
Hoje ainda existem músicas que valem a pena, claro. Mas boa parte do que domina parece seguir outro caminho. Muita coisa nasce para o consumo ligeiro e a repetição fácil, faz sucesso rápido, fatura milhões e quase sempre para por aí. Em muitos casos, o que sobra são apologias vazias, excesso de superfície e pouco espaço para a beleza que também faz pensar.
A pressa do nosso tempo chegou também à música. Tudo precisa chamar atenção depressa, circular muito e ser logo substituído pela próxima novidade. Nesse ritmo, vai se perdendo aquela canção que ficava na memória e ainda tinha alguma coisa a dizer.
A maior saudade não é apenas das músicas de antes, mas daquilo que muitas delas ainda tinham: a capacidade de tocar o ouvido, o coração e a consciência ao mesmo tempo.
