“O excesso de experiência joga a nossa régua lá no céu, ou seja, nada mais nos faz feliz.” Ouvi essa frase dias atrás, em uma entrevista de podcast, e logo fiz um paralelo com coisas que já venho observando e até rabiscando em alguns textos.
Já li certa vez uma teoria de que o nosso cérebro evoluiu de forma lenta e não estava preparado para o bombardeio de informações e sensações que recebemos diariamente. Basta pensar, por exemplo, em um café da manhã de um hotel mediano. Se compararmos com as experiências gustativas dos nossos avós, é bem provável que, em toda a vida deles, não tenham visto tanta variedade reunida numa só mesa.
E há mais. Em um único dia no Instagram, vemos mais rostos do que muitos dos nossos antepassados viram ao longo de uma vida inteira.
Antigamente, a vida era muito mais previsível, especialmente aqui no nosso sertão. Era acordar com o canto do galo, cumprir as obrigações, fossem domésticas, na roça ou em alguma atividade da cidade, dormir ao anoitecer e repetir esse ciclo, quase sempre com poucas alterações.
Hoje, ao contrário, a gente acorda sem ter ideia do que o dia ainda nos reserva. São compromissos, tarefas, cobranças, estímulos, notícias, telas e distrações demais para uma cabeça que não foi feita para lidar com tanto ao mesmo tempo.
É curioso como temos tantas coisas disponíveis. Ainda assim, é difícil sentir que isso é o bastante. Não é somente o que nos falta, mas também o excesso que se acumula diante de nós. Todos os dias, esperamos que algo maior apareça, uma novidade qualquer que nos satisfaça de vez. E, nessa ansiedade, o que é simples vai ficando menor. Aos poucos, já não vemos as coisas como antes.
